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Assistência Jurídica na Lei Maria da Penha é Obrigatória, Inclusive no Tribunal do Júri: Entenda a Decisão do STJ.

Introdução: A Importância da Assistência Jurídica no Combate à Violência Doméstica.

couple talking while moving in new apartment
Photo by Ketut Subiyanto on Pexels.com

A violência contra a mulher é uma chaga social que exige respostas firmes do Estado e do Poder Judiciário. No Brasil, a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006) surgiu como um marco no enfrentamento dessa realidade, estabelecendo mecanismos de proteção integral às vítimas.

Entre esses mecanismos, um dos mais relevantes é a garantia de assistência jurídica gratuita e qualificada em todos os atos processuais.

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) proferiu decisão importante ao afirmar que esse direito se estende inclusive aos processos perante o tribunal do júri, como nos casos de feminicídio.

A decisão reforça que nenhuma mulher em situação de violência – nem mesmo suas famílias, quando a agressão culmina em morte – pode ficar desassistida juridicamente.

Neste artigo, analisaremos detalhadamente:

  • Os impactos práticos dessa decisão para vítimas e operadores do direito.
  • O contexto do julgamento e os argumentos debatidos.
  • Os fundamentos legais que sustentam a obrigatoriedade da assistência jurídica.


1. O Caso Concreto e a Decisão do STJ.

close up shot of a figurine
Photo by KATRIN BOLOVTSOVA on Pexels.com

O STJ analisou um recurso especial interposto pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), que questionava a atuação da Defensoria Pública na representação de vítimas indiretas (familiares) em um caso de feminicídio.

O 2º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro havia deferido o pedido de assistência jurídica qualificada formulado pela Defensoria. O MPRJ argumentou que:

  • A Defensoria não poderia atuar simultaneamente na defesa do acusado e na assistência às vítimas.
  • A Lei Maria da Penha não prevê expressamente essa atuação em processos do tribunal do júri.

No entanto, o STJ rejeitou esses argumentos, destacando que:

  • Defensores diferentes podem atuar em lados opostos do processo, desde que haja independência funcional (art. 4º, §6º, da LC 80/1994).
  • A Lei Maria da Penha garante assistência jurídica em todos os atos processuais, sem exceção.


2. Fundamentação Legal: Por que a Assistência Jurídica é Obrigatória?

2.1. A Lei Maria da Penha e o Direito à Assistência Jurídica (Arts. 27 e 28).

A Lei Maria da Penha estabelece, em seus artigos 27 e 28, que:

  • Art. 27: “À mulher vítima de violência doméstica e familiar serão garantidos […] assistência jurídica, quando necessário.”
  • Art. 28: “O juiz assegurará à ofendida […] acesso aos serviços de defensoria pública ou de assistência judiciária gratuita.”

Esses dispositivos não fazem distinção entre processos comuns e júri, indicando que a assistência jurídica deve ser prestada em qualquer fase processual.

2.2. A Defensoria Pública na Constituição Federal (Art. 134).

A Constituição Federal (Art. 134) define a Defensoria Pública como instituição essencial à justiça, incumbida de orientar juridicamente os necessitados. Portanto, sua atuação é indispensável para garantir o acesso à justiça.

2.3. A Independência Funcional dos Defensores (Lei Complementar 80/1994).

O do art. 43, inciso II e art. 47 da LC 80/1994. asseguram que os defensores públicos têm independência funcional, ou seja, podem atuar em lados opostos do processo sem conflito de interesses, desde que não seja o mesmo profissional.


3. Por Que Essa Decisão é Importante?

3.1. Garantia de Acesso à Justiça para Vítimas Indiretas.

Em casos de feminicídio, os familiares da vítima (vítimas indiretas) também sofrem consequências graves. A decisão do STJ assegura que eles não ficarão desamparados juridicamente.

3.2. Evita a Revitimização.

Muitas vítimas de violência doméstica não têm condições de contratar advogado particular. A Defensoria Pública atua para evitar que a vítima seja novamente prejudicada pela falta de representação legal.

3.3. Reforço à Política Pública de Enfrentamento à Violência.

A decisão do STJ alinha-se às políticas públicas de proteção à mulher, reforçando que o Estado não pode se omitir em nenhuma fase processual.


Conclusão: Um Avance Necessário na Garantia de Direitos Fundamentais.

woman holding hand in front of man face
Photo by Mikael Blomkvist on Pexels.com

A decisão do STJ representa um significativo avanço na concretização dos direitos das mulheres previstos na Lei Maria da Penha. Ao estabelecer que a assistência jurídica qualificada é indispensável mesmo nos processos perante o tribunal do júri, o Tribunal:

  1. Fortalece o acesso à justiça – Garante que questões econômicas não sejam obstáculo para a defesa efetiva dos direitos das vítimas.
  2. Previene a revitimização – Assegura acompanhamento técnico em todas as fases processuais, inclusive nas mais complexas.
  3. Consolida políticas públicas – Reafirma o compromisso do Estado no combate à violência doméstica.

Esta orientação judicial vem corrigir uma lacuna na aplicação da lei, impedindo que interpretações restritivas deixem mulheres vulneráveis justamente quando mais necessitam de proteção. A Defensoria Pública surge, nesse cenário, como instituição fundamental para tornar realidade o princípio constitucional da igualdade.

Como sociedade, devemos celebrar decisões como esta, que aproximam o direito formal da justiça real, mas também permanecer vigilantes para que tais garantias se traduzam em proteção efetiva no cotidiano das mulheres brasileiras.

Este artigo buscou esclarecer, de forma clara e fundamentada, a importância da decisão do STJ. Se você ou alguém que conhece está em situação de violência, busque ajuda: a Defensoria Pública e os órgãos de proteção à mulher estão à disposição para auxiliar.


Referências Legais.


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