Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

TRT-2 Mantém Penhora de Imóvel Alegado como Bem de Família em Agravo de Petição.

1.Introdução.

judgement scale and gavel in judge office
Photo by Sora Shimazaki on Pexels.com

O Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2) analisou, em sessão da 6ª Turma, o Agravo de Petição interposto por Olga Maria Di Sessa, sócia executada no processo n.º 1000733-68.2018.5.02.0023.

A decisão manteve a penhora de um imóvel que a agravante alegava ser bem de família, negando provimento ao recurso. O acórdão foi relatado pelo desembargador Wilson Fernandes, com sentença inicial proferida pela juíza Lucy Guidolin Brisolla.

2. Entenda o Caso.

abandoned sheriffs station
Photo by bt3gl 👾 on Pexels.com

Olga Maria Di Sessa recorreu contra a sentença que julgou improcedentes seus embargos à execução. No recurso, ela argumentou que o imóvel penhorado deveria ser protegido pela Lei nº 8.009/90, que impede a penhora de bens de família. A agravante sustentou que o imóvel era essencial para sua subsistência, mesmo após ela ter deixado o Brasil e se mudado para a Argentina, onde reside atualmente.

Em sua defesa, Olga alegou que o imóvel foi locado a terceiros e os rendimentos obtidos seriam utilizados para complementar suas despesas pessoais e custear o aluguel de um imóvel em Buenos Aires. No entanto, a agravada, Francisco Marciano Magalhães, contestou essa narrativa, destacando inconsistências e ausência de provas robustas que sustentassem a tese apresentada.

3. A Decisão.

woman university tutor in black traditional outfit in library
Photo by KATRIN BOLOVTSOVA on Pexels.com

Ao analisar o caso, o relator Wilson Fernandes destacou que a proteção prevista na Lei nº 8.009/90, visa garantir o direito à moradia, como disposto no artigo 6º da Constituição Federal.

Para que o imóvel seja reconhecido como bem de família, é necessário que este seja utilizado como residência da entidade familiar ou que a renda de sua locação, seja revertida diretamente para a subsistência do núcleo familiar.

No caso em questão, o relator ressaltou que, embora tenham sido apresentados contratos de locação tanto do imóvel penhorado quanto daquele alugado pela agravante na Argentina, faltaram documentos que comprovassem a transferência de valores entre as partes.

Não houve evidências de que os recursos obtidos com o aluguel fossem efetivamente destinados ao pagamento de despesas da agravante em sua nova residência.

Outro ponto abordado foi a doação do imóvel ao filho da agravante, Fabio Zitta. Segundo o relator, a doação não se justificava como uma medida necessária para a administração do bem. Uma simples procuração seria suficiente para que o filho cuidasse dos assuntos relacionados ao imóvel. Tal atitude, segundo o entendimento do tribunal, indicou uma intenção distinta da alegada nos embargos.

Diante disso, o desembargador concluiu que os requisitos legais para caracterização do imóvel como bem de família não foram atendidos. Assim, a penhora foi mantida, e o agravo de petição foi considerado improcedente.

4. Fundamentos Legais.

judge signing on the papers
Photo by KATRIN BOLOVTSOVA on Pexels.com

A decisão fundamentou-se na Lei n.º 8.009/90, que dispõe sobre a impenhorabilidade do bem de família, e na Súmula 486 do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que reforça os requisitos necessários para a aplicação dessa proteção. Além disso, o tribunal analisou os elementos apresentados à luz do artigo 6º da Constituição Federal, que assegura o direito à moradia.

O acórdão também apontou a necessidade de comprovação inequívoca das alegações da agravante. A ausência de provas consistentes foi decisiva para o desfecho desfavorável à sócia executada.

5. Conclusão

diverse colleagues of juristic agency shaking hands together in office
Photo by Sora Shimazaki on Pexels.com

Os magistrados da 6ª Turma do TRT-2 decidiram, por unanimidade, conhecer e negar provimento ao agravo de petição interposto por Olga Maria Di Sessa. A decisão reafirma a importância da comprovação robusta dos requisitos legais para a proteção do bem de família e destaca que meras alegações, sem suporte documental adequado, não são suficientes para afastar a penhora de um imóvel.

Esse julgamento reflete a interpretação rigorosa dos tribunais em relação às exceções previstas na Lei n.º 8.009/90, protegendo o direito do credor sem desconsiderar os limites da lei. A manutenção da penhora demonstra que, em casos como esse, a boa-fé e a transparência nas provas são fundamentais para a obtenção de resultados favoráveis.

Comente o que achou. Deixe a sua crítica, elógio, sugestão, pois sua participação é muiro importante.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Veja Mais

Artigos Relacionados:

A Legalidade da Tarifa de Adiantamento a Depositante: Análise à Luz da Legislação Brasileira e da Jurisprudência do STJ.

A Legalidade da Tarifa de Adiantamento a Depositante: Análise à Luz da Legislação Brasileira e da Jurisprudência do STJ.

Entenda a decisão do Superior Tribunal de Justiça que reconheceu a legalidade da tarifa de adiantamento a depositante. Com base na Resolução CMN 3.919/2010 e no Tema 618, o STJ

Empresa é condenada por dispensar trabalhadora protegida pela Lei Maria da Penha.

Empresa é condenada por dispensar trabalhadora protegida pela Lei Maria da Penha.

Entenda a decisão do TST que condenou empresa por dispensar copeira que obteve medida protetiva da Lei Maria da Penha contra ex-companheiro. Análise jurídica, fundamentos legais e orientações para empregadores.

Testemunha com ação contra o mesmo empregador: entenda a decisão do TST que reafirma a não suspeição.

Testemunha com ação contra o mesmo empregador: entenda a decisão do TST que reafirma a não suspeição.

O Tribunal Superior do Trabalho (TST) fixou tese vinculante no Incidente de Recursos Repetitivos: o simples fato de a testemunha ter ação contra o mesmo empregador não a torna suspeita.

Amor com Preço: Quando a Confiança se Torna o Maior Perigo – O Julgamento que Expôs a Fragilidade dos Relacionamentos na Era Digital

Amor com Preço: Quando a Confiança se Torna o Maior Perigo – O Julgamento que Expôs a Fragilidade dos Relacionamentos na Era Digital

Entenda como um relacionamento amoroso de quatro anos se transformou em um esquema de estelionato que causou prejuízo de R$ 129 mil. O julgamento que condenou a golpista revela os

A Escolha da Estratégia Defensiva como Fator de Êxito no Processo Penal.

A Escolha da Estratégia Defensiva como Fator de Êxito no Processo Penal.

Entenda a importância da utilização dos meios processuais corretos na defesa criminal. Este artigo analisa os limites do habeas corpus, a cadeia de custódia, o exame de corpo de delito

O DIREITO DO FILHO RECONHECIDO TARDIAMENTE: INDENIZAÇÃO POR MORTE DO PAI EM ACIDENTE DE TRABALHO E A PRESCRIÇÃO QUE NÃO PODE SER INÍQUA.

O DIREITO DO FILHO RECONHECIDO TARDIAMENTE: INDENIZAÇÃO POR MORTE DO PAI EM ACIDENTE DE TRABALHO E A PRESCRIÇÃO QUE NÃO PODE SER INÍQUA.

Entenda os critérios que garantem ao filho, mesmo nascido após a morte do pai ou reconhecido tardiamente, o direito de pleitear indenização por danos morais e materiais decorrentes de acidente

A Capitalização Diária de Juros e o Dever de Informação nos Contratos Bancários.

A Capitalização Diária de Juros e o Dever de Informação nos Contratos Bancários.

Este texto analisa a questão da capitalização diária de juros mesmo sem a especificação da taxa diária, compatibilizando os precedentes do REsp 973.827/RS e do REsp 1.826.463/SC. Entenda os fundamentos

O Dever de Revisão e o Devido Processo Legal Administrativo: A Autonomia do INSS no Cancelamento de Benefícios por Incapacidade Concedidos Judicialmente.

O Dever de Revisão e o Devido Processo Legal Administrativo: A Autonomia do INSS no Cancelamento de Benefícios por Incapacidade Concedidos Judicialmente.

Análise do julgamento do Tema 1157/STJ que reconheceu a legitimidade do INSS para revisar e cancelar benefícios por incapacidade concedidos judicialmente, observado o devido processo legal administrativo. Entenda os fundamentos

HIV Assintomático e a Indenização por Invalidez Funcional Permanente: Um Marco na Proteção do Consumidor Hipervulnerável.

HIV Assintomático e a Indenização por Invalidez Funcional Permanente: Um Marco na Proteção do Consumidor Hipervulnerável.

O STJ decidiu que o segurado com HIV, mesmo assintomático, tem direito à indenização por invalidez funcional permanente (IFPD). Entenda os fundamentos jurídicos, a aplicação do CDC e o impacto

Evasão Escolar em Comunidade Cigana: o Direito à Educação Prevalece sobre Costumes Culturais

Evasão Escolar em Comunidade Cigana: o Direito à Educação Prevalece sobre Costumes Culturais

Entenda sobre a obrigatoriedade da matrícula escolar de crianças ciganas, mesmo diante de tradições culturais. Artigo explica o conflito entre direitos culturais e o direito fundamental à educação, com base