Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

TRF3 Garante Cálculo de Aposentadoria por Invalidez com Base em Regras Anteriores à Reforma da Previdência. Decisão beneficia segurada que já recebia auxílio-doença antes da Emenda Constitucional 103/2019; tribunal reconhece direito adquirido e impõe revisão ao INSS.

1. Introdução.

O Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3) proferiu uma importante decisão que garante a uma segurada o direito ao cálculo da aposentadoria por invalidez com base na legislação anterior à Reforma da Previdência de 2019.

O benefício, concedido em 2022, será recalculado segundo as normas vigentes antes da promulgação da Emenda Constitucional (EC) n.º 103/2019, uma vez que a beneficiária já recebia auxílio-doença antes dessa reforma.

A decisão da Décima Turma do TRF3, que atendeu ao recurso da segurada contra uma sentença de primeira instância, reforça o princípio do direito adquirido, protegendo os segurados que já estavam em situação de incapacidade antes das mudanças nas regras previdenciárias introduzidas pela EC 103.

Segundo a relatoria, o cálculo do benefício deve observar as regras anteriores à reforma, em respeito ao momento do surgimento da incapacidade laboral.

2. O Caso e o Contexto da Decisão.

man in black crew neck t shirt holding gray barbell

A autora da ação, que sofre de transtorno depressivo recorrente, comprovou por meio de perícia judicial que seus sintomas começaram em 2011, e que, desde março de 2012, ela se encontrava incapacitada para o trabalho.

Entre março de 2012 e agosto de 2022, a segurada recebeu auxílio-doença concedido pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Entretanto, com a cessação do benefício, ela recorreu ao Judiciário, pleiteando a concessão de aposentadoria por invalidez, considerando o agravamento de seu quadro clínico.

Em primeira instância, a 3ª Vara Federal de Santos/SP, determinou ao INSS a concessão do benefício de aposentadoria por incapacidade permanente, mas com base nas regras de cálculo estabelecidas pela EC 103/2019.

A segurada, por meio de seus advogados, recorreu da decisão ao TRF3, argumentando que a aplicação das novas regras era prejudicial, uma vez que sua incapacidade para o trabalho havia surgido muito antes da reforma.

O ponto central da disputa residia na definição da legislação aplicável ao cálculo da renda mensal inicial (RMI) da aposentadoria por invalidez. A reforma da Previdência, promulgada em novembro de 2019, alterou substancialmente o cálculo dos benefícios por incapacidade, como a aposentadoria por invalidez, gerando, em muitos casos, uma redução significativa no valor final dos benefícios.

No entanto, a defesa da segurada sustentou que, como o início de sua incapacidade ocorreu antes da vigência da EC 103, ela teria direito adquirido às regras anteriores.

3. A Fundamentação Jurídica.

man and woman near the lake

Ao analisar o recurso, o relator do processo no TRF3, destacou que o direito ao benefício por incapacidade é adquirido no momento em que se verifica o surgimento da enfermidade e a consequente incapacidade para o trabalho, independentemente de a incapacidade ser provisória ou definitiva no momento de sua concessão inicial.

Em sua fundamentação, afirmou o relator que “se a incapacidade laborativa sobreveio antes da vigência da Emenda Constitucional (EC) 103/2019, desta forma, o benefício do segurado deve ter sua Renda Mensal Inicial recalculada, utilizando-se a metodologia prevista no artigo 36, parágrafo 7º, do Decreto 3.048/1999, vigente anteriormente às novas regras”.

O relator ainda ressaltou o princípio do direito adquirido, que assegura que as regras mais favoráveis vigentes na data do fato gerador – no caso, a incapacidade para o trabalho – devem ser aplicadas, mesmo que a concessão do benefício ocorra em momento posterior. “Sendo irrelevante o fato de ela ter sido apreciada como provisória ou definitiva em um primeiro instante”, concluiu o magistrado.

A decisão foi unânime entre os integrantes da Décima Turma, que determinaram a aplicação das regras de cálculo anteriores à EC 103/2019 para a fixação da renda mensal da aposentadoria por invalidez da autora.

4. Impactos da Decisão e Precedentes.

judgement scale and gavel in judge office

A sentença do TRF3 pode servir de precedente para outros segurados que se encontrem em situações semelhantes. A decisão reitera a necessidade de observância do direito adquirido em processos de concessão e revisão de benefícios previdenciários, especialmente nos casos em que o surgimento da incapacidade laboral precede a promulgação de reformas nas regras da Previdência.

O impacto da EC 103/2019 tem sido amplamente discutido no meio jurídico e entre especialistas em Previdência, uma vez que as novas regras, além de alterarem o cálculo dos benefícios, elevaram a idade mínima para aposentadoria e impuseram requisitos mais rígidos para a concessão de benefícios. Nos casos de aposentadoria por invalidez, a nova legislação passou a prever a concessão de 60% da média das contribuições do segurado, acrescida de 2% para cada ano de contribuição que ultrapassar 20 anos, no caso de homens, e 15 anos, no caso de mulheres. O cálculo anterior era mais vantajoso, utilizando 100% da média das contribuições, sem a redução inicial de 60%.

5. Conclusão.

man on a wheelchair

A decisão do TRF3 em favor da segurada representa uma vitória importante para os beneficiários do INSS que tiveram sua incapacidade laboral constatada antes da reforma previdenciária de 2019.

O caso reforça o entendimento de que o direito adquirido deve ser respeitado, garantindo a aplicação de regras mais favoráveis para aqueles que já se encontravam em situação de vulnerabilidade antes das mudanças nas normas previdenciárias.

O INSS, por sua vez, deverá recalcular o benefício da autora conforme as diretrizes fixadas pela Décima Turma do TRF3, aplicando as regras de cálculo anteriores à EC 103/2019 e respeitando o princípio do direito adquirido.

Fonte TRF 3ª Região – processo em segredo de justiça

Comente o que achou. Deixe a sua crítica, elógio, sugestão, pois sua participação é muiro importante.

Respostas de 3

  1. Excelente trabalho juridico Voces defendem os direitos dos aposentados por invalidez tao sofridos pela sua propria condicao.Vai ajudar milhares de aposentados por invalides respeitando o direito adquerido.Silvana Belkiss

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Veja Mais

Artigos Relacionados:

Execução Fiscal e Honorários Advocatícios: A Consagração do Princípio da Causalidade no Tema 1.413 do STJ.

Execução Fiscal e Honorários Advocatícios: A Consagração do Princípio da Causalidade no Tema 1.413 do STJ.

Entenda a decisão do STJ no Tema 1.413 que definiu ser devidos honorários advocatícios em execução fiscal mesmo quando o pagamento do débito ocorre antes da citação. Análise completa do

Usucapião Familiar e o Limite de 250m²: Uma Análise da Impossibilidade de Incidência sobre Fração de Imóvel.

Usucapião Familiar e o Limite de 250m²: Uma Análise da Impossibilidade de Incidência sobre Fração de Imóvel.

Entenda a decisão do STJ que impede o reconhecimento de usucapião familiar sobre fração de imóvel com área total superior a 250m². Análise doutrinária, legal e jurisprudencial do art. 1.240-A

O Julgamento Algorítmico: Os Limites Legais do Monitoramento por IA no Brasil.

O Julgamento Algorítmico: Os Limites Legais do Monitoramento por IA no Brasil.

O caso do ChatGPT que entregou um pai que planejava matar o filho escancarou os limites legais do monitoramento por inteligência artificial no Brasil. Entenda o que diz a legislação

Golpe do Amor: Justiça de SP Condena Homem que Fingiu Câncer Terminal para Extorquir Namorada.

Golpe do Amor: Justiça de SP Condena Homem que Fingiu Câncer Terminal para Extorquir Namorada.

A Justiça de São Paulo condenou um homem a 3 anos e 4 meses de reclusão em regime semiaberto pelos crimes de estelionato e furto qualificado mediante fraude. O réu,

STJ Define Marco Temporal: A Pensão por Morte e o Auxílio-Reclusão para Menores de 16 Anos Após a Reforma de 2019.

STJ Define Marco Temporal: A Pensão por Morte e o Auxílio-Reclusão para Menores de 16 Anos Após a Reforma de 2019.

Entenda a decisão do STJ no Tema 1421 sobre a Data de Início do Benefício (DIB) para filhos menores de 16 anos. Análise jurídica sobre a não retroação da pensão

A Evolução da Cobertura em Planos de Saúde: Entre o Formalismo Processual e o Direito à Saúde.

A Evolução da Cobertura em Planos de Saúde: Entre o Formalismo Processual e o Direito à Saúde.

Análise do julgamento do STJ que reconheceu a obrigatoriedade de cobertura de cirurgia robótica em tratamento oncológico, mesmo antes da inclusão no rol da ANS, e as inovações processuais sobre

A Purga da Mora e o Inadimplemento Reiterado na Ação de Despejo.

A Purga da Mora e o Inadimplemento Reiterado na Ação de Despejo.

Este artigo analisa o julgamento do Recurso Especial n. 2.225.450/DF, que discute a purga da mora em ação de despejo diante de inadimplementos reiterados do locatário. Aborda a distinção entre

O RECONHECIMENTO DE OFÍCIO DO CERCEAMENTO DE DEFESA E O JULGAMENTO EXTRA PETITA: UMA ANÁLISE À LUZ DA JURISPRUDÊNCIA DO STJ.

O RECONHECIMENTO DE OFÍCIO DO CERCEAMENTO DE DEFESA E O JULGAMENTO EXTRA PETITA: UMA ANÁLISE À LUZ DA JURISPRUDÊNCIA DO STJ.

Análise doutrinária e jurisprudencial sobre a impossibilidade de reconhecimento de ofício do cerceamento de defesa em causas que envolvem direitos disponíveis, com fundamento no julgamento dos Embargos de Divergência no

A Força do Direito Individual nas Obras Coletivas: Quando o Comprador Pode Exigir Sozinho a Infraestrutura do Loteamento.

A Força do Direito Individual nas Obras Coletivas: Quando o Comprador Pode Exigir Sozinho a Infraestrutura do Loteamento.

Metadescrição: Entenda o julgamento histórico do STJ (2026) que reconheceu a legitimidade do comprador de lote para exigir individualmente obras de infraestrutura em áreas comuns. Análise doutrinária completa, conceitos de

A Força da Proteção Integral: O Direito do Menor sob Guarda à Pensão por Morte e o Dever de Não Retrocesso Social.

A Força da Proteção Integral: O Direito do Menor sob Guarda à Pensão por Morte e o Dever de Não Retrocesso Social.

Este artigo analisa a decisão histórica do STJ que garante a pensão por morte a menores sob guarda, mesmo após a Lei 9.528/97. Entenda os argumentos baseados na Constituição Federal,