Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

Caixa não é responsabilizada por depósitos de R$ 88,5 mil em caso de “Golpe do Amor”.

1. Introdução.

a man in black sweater holding letter board with fraud text
Photo by Tima Miroshnichenko on Pexels.com

A Segunda Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3) decidiu que a Caixa Econômica Federal não deve ser responsabilizada por três depósitos, totalizando R$ 88,5 mil, realizados por uma aposentada vítima do chamado “Golpe do Amor”.

A decisão foi fundamentada na conclusão de que a culpa foi exclusiva da autora, que efetuou as transações voluntariamente utilizando sua senha bancária pessoal.

2. Entenda o caso.

man people night smartphone
Photo by Mikhail Nilov on Pexels.com

De acordo com os autos, a aposentada, moradora de São Paulo, foi vítima de um esquema de fraude comum em aplicativos de relacionamento.

Em julho de 2023, ela iniciou contato com um homem que afirmava ser engenheiro e residente no exterior. O fraudador, se passando por um potencial parceiro amoroso, alegou estar prestes a se mudar para o Brasil e começou a pedir dinheiro para resolver pendências financeiras, como a finalização de um trabalho que supostamente viabilizaria sua vinda ao país.

A vítima, convencida pela narrativa, contraiu empréstimos bancários e realizou três transferências para contas indicadas pelo golpista, todas abertas na Caixa Econômica Federal. Em agosto de 2023, ela efetuou o último depósito. No início de setembro, o fraudador rompeu o contato e desapareceu, deixando a aposentada em prejuízo financeiro e emocional.

3. Alegações no processo judicial.

brown wooden gavel on brown wooden table
Photo by KATRIN BOLOVTSOVA on Pexels.com

Sentindo-se lesada, a mulher recorreu ao Judiciário pleiteando o ressarcimento dos valores transferidos, além de uma indenização por danos morais no valor de R$ 20 mil.

Segundo a autora, a Caixa teria sido negligente ao autorizar a abertura de contas bancárias sem verificar adequadamente a autenticidade dos documentos apresentados pelos titulares.

Na primeira instância, a 1ª Vara Federal de São Bernardo do Campo julgou improcedente o pedido da aposentada, decisão mantida em segunda instância pelo TRF3. O relator do processo, desembargador federal Carlos Francisco, destacou que as transações financeiras ocorreram de forma espontânea e com a utilização das credenciais bancárias da autora.

4. Fundamentação da decisão.

judges desk with gavel and scales
Photo by Sora Shimazaki on Pexels.com

Para os magistrados do TRF3, não houve falha por parte da instituição financeira que pudesse justificar a responsabilização civil.

O relator afirmou que as operações foram realizadas diretamente pela aposentada, sem qualquer interferência ou negligência da Caixa. Ele ainda destacou que a fraude foi arquitetada por um terceiro, que enganou a vítima por meio de mensagens amorosas e promessas enganosas.

“Na extensa conversa entre a vítima e o golpista, integralmente juntada nos autos, resta evidente que o golpe ocorreu por ter sido a autora induzida por terceiro, que a ludibriou por meio de mensagens amorosas”, pontuou Carlos Francisco.

Além disso, o desembargador ressaltou que não é razoável exigir dos bancos mecanismos de segurança que impeçam a utilização de contas bancárias por terceiros para práticas ilícitas. Segundo ele, tal exigência imporia uma responsabilidade irrestrita às instituições financeiras, o que não encontra respaldo jurídico.

A decisão foi unânime, com os desembargadores concordando em negar provimento ao recurso da aposentada.

5. O que é o “Golpe do Amor”?

man in black hoodie holding a smartphone
Photo by Mikhail Nilov on Pexels.com

O caso ilustra um tipo de fraude conhecido como “Golpe do Amor”, no qual criminosos se aproveitam da confiança e dos sentimentos das vítimas para obter ganhos financeiros. Geralmente, os golpistas criam perfis falsos em redes sociais ou aplicativos de relacionamento, apresentando-se como estrangeiros de boa condição financeira e com intenções de relacionamento sério.

Após ganhar a confiança da vítima, os fraudadores frequentemente alegam que estão enviando presentes ou planejando uma mudança para o Brasil. No entanto, justificam que precisam de valores para liberar encomendas ou solucionar questões financeiras urgentes. As vítimas, acreditando na veracidade das histórias, realizam transferências para contas indicadas pelos criminosos, que desaparecem logo em seguida.

6. Reflexão e cuidados.

photo of person taking down notes
Photo by cottonbro studio on Pexels.com

O caso julgado pelo TRF3 chama atenção para a necessidade de precaução ao interagir com desconhecidos em ambientes virtuais.

Embora as instituições financeiras estejam comprometidas com a segurança de seus serviços, os bancos não podem ser responsabilizados por decisões individuais de clientes que, mesmo sem intenção, favorecem práticas criminosas.

Especialistas recomendam que, em situações similares, as vítimas de golpes desse tipo acionem a polícia e denunciem as contas utilizadas pelos fraudadores. A educação digital e o fortalecimento de políticas públicas voltadas à proteção de consumidores também são elementos importantes na prevenção de fraudes.

Por fim, o caso reforça a responsabilidade pessoal ao lidar com as próprias finanças e os riscos associados a interações online, lembrando que, em casos de golpe, o Judiciário tende a reconhecer a culpa exclusiva do indivíduo lesado, como ocorreu nesta decisão da Segunda Turma do TRF3.

Comente o que achou. Deixe a sua crítica, elógio, sugestão, pois sua participação é muiro importante.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Veja Mais

Artigos Relacionados:

Servidor Público com Vínculo Contínuo: O Direito de Escolha entre Regimes Previdenciários.

Servidor Público com Vínculo Contínuo: O Direito de Escolha entre Regimes Previdenciários.

Entenda a decisão do STF que garante ao servidor público com vínculo contínuo o direito de optar entre o regime de previdência complementar e o sistema anterior, com base no

Usucapião Especial Urbana e a Perspectiva de Gênero: Análise do Art. 183 da CRFB/1988 e Art. 1.240 do Código Civil sob a Ótica da Resolução CNJ n. 492/2023.

Usucapião Especial Urbana e a Perspectiva de Gênero: Análise do Art. 183 da CRFB/1988 e Art. 1.240 do Código Civil sob a Ótica da Resolução CNJ n. 492/2023.

Artigo doutrinário sobre usucapião especial urbana, analisando requisitos constitucionais e legais, animus domini, interversio possessionis e julgamento com perspectiva de gênero conforme Resolução CNJ n. 492/2023, com base em jurisprudência

Usucapião entre Ascendentes e Descendentes: Limites da Posse Familiar e o Entendimento do STJ.

Usucapião entre Ascendentes e Descendentes: Limites da Posse Familiar e o Entendimento do STJ.

Entenda por que o STJ nega, em regra, a usucapião extraordinária de imóvel de ascendente ocupado por descendente. Análise da posse precária, do animus domini e das exceções jurisprudenciais. PALAVRAS

Sursis Obrigatório em Violência Doméstica: Grupos Reflexivos e o Poder-Dever do Magistrado.

Sursis Obrigatório em Violência Doméstica: Grupos Reflexivos e o Poder-Dever do Magistrado.

Entenda como o STJ firmou o poder-dever do juiz de impor grupos reflexivos como condição do sursis em casos de violência doméstica, com base no art. 79 do CP e

A Reconvenção no Processo do Trabalho: O Contrato como Liame de Conexão e a Superação da Exigência de Afinidade Temática.

A Reconvenção no Processo do Trabalho: O Contrato como Liame de Conexão e a Superação da Exigência de Afinidade Temática.

Entenda como a jurisprudência do TST consolidou a reconvenção no processo do trabalho, superando a exigência de afinidade temática. Análise do art. 343 do CPC, do contrato de trabalho como

O Novo Regime de Custas do Recurso Especial: A Lei 15.498/2026 e a Virada Proporcional no STJ.

O Novo Regime de Custas do Recurso Especial: A Lei 15.498/2026 e a Virada Proporcional no STJ.

Entenda como a Lei 15.498/2026 transformou a cobrança de custas do recurso especial no STJ, substituindo valores fixos por alíquotas de 2% a 4% sobre o valor da causa, com

A Resilição Unilateral de Conta-Corrente por Iniciativa da Instituição Financeira: Análise do Tema 1.119 do STJ.

A Resilição Unilateral de Conta-Corrente por Iniciativa da Instituição Financeira: Análise do Tema 1.119 do STJ.

Análise doutrinária e jurisprudencial do Tema 1.119 do STJ, que fixou a inaplicabilidade do art. 39, IX, do CDC à resilição unilateral de conta-corrente bancária, com base na legislação especial

Perda pequena de capacidade não afasta direito a pensão mensal de operador de máquinas.

Perda pequena de capacidade não afasta direito a pensão mensal de operador de máquinas.

Entenda por que o TST garante pensão mensal ao trabalhador com perda parcial mínima da capacidade laborativa, mesmo com nexo concausal e aptidão para outras funções, com base no art.

A Gravação Ambiental como Prova no Processo Civil Brasileiro: A Licitude da Captação por Consumidor no Ambiente Corporativo à Luz do Estatuto da Advocacia.

A Gravação Ambiental como Prova no Processo Civil Brasileiro: A Licitude da Captação por Consumidor no Ambiente Corporativo à Luz do Estatuto da Advocacia.

Análise doutrinária e jurisprudencial sobre a admissibilidade da gravação ambiental feita por consumidor no departamento jurídico de empresa, à luz do REsp 1.969.798/DF, do art. 7º da Lei 8.906/94 e

Do Afeto ao Direito das Coisas: A Custódia Compartilhada de Animais de Estimação na Jurisprudência do STJ.

Do Afeto ao Direito das Coisas: A Custódia Compartilhada de Animais de Estimação na Jurisprudência do STJ.

Análise doutrinária e jurisprudencial sobre a custódia compartilhada de animais de estimação após a dissolução da união estável, com base no REsp 2.214.336/DF do STJ, que afastou a aplicação analógica