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Planos de Saúde Não Podem Limitar Sessões de Psicomotricidade ou Exigir Formação em Psicologia.

1. Decisão do STJ reforça direitos dos beneficiários e amplia acesso a tratamentos multidisciplinares.

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Photo by KATRIN BOLOVTSOVA on Pexels.com

A recente decisão da Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) trouxe à tona um importante debate sobre os direitos dos beneficiários de planos de saúde em relação ao custeio de tratamentos multidisciplinares.

O tribunal determinou que as operadoras de planos de saúde não podem limitar o número de sessões de psicomotricidade nem condicionar a prestação do serviço à formação em psicologia do profissional. Essa decisão é fundamental para garantir o acesso pleno à saúde, conforme assegurado pela Constituição Federal.

2. O que é Psicomotricidade?

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Photo by Pavel Danilyuk on Pexels.com

Para esclarecer, a psicomotricidade é uma área que integra aspectos físicos, emocionais e cognitivos, visando à reeducação ou reabilitação de indivíduos com retardo no desenvolvimento psicomotor.

Trata-se de um trabalho interdisciplinar, realizado por profissionais com formação em saúde ou educação e especialização na área de psicomotricidade. Não se restringe a psicólogos, podendo incluir terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas, enfermeiros e outros especialistas qualificados.

3. A Decisão do STJ.

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Photo by Alexis Alv on Pexels.com

A ação judicial que originou a decisão do STJ envolvia um usuário de plano de saúde que buscava o ressarcimento de despesas e a cobertura de sessões de psicomotricidade prescritas como parte de um tratamento multidisciplinar. O atendimento foi realizado por um enfermeiro com especialização em psicomotricidade.

As instâncias inferiores já haviam decidido favoravelmente ao consumidor, e o STJ confirmou o entendimento. Segundo a relatora, ministra Nancy Andrighi, as diretrizes da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) não exigem que o serviço seja prestado exclusivamente por psicólogos. Ademais, o rol da ANS inclui as sessões de psicomotricidade como procedimento coberto, sem limitação de quantidade ou exigência de formação específica em psicologia.

4. Impactos da Decisão para os Beneficiários.

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Essa decisão tem ampla repercussão para os beneficiários de planos de saúde. Em primeiro lugar, ela reforça o direito ao tratamento adequado e individualizado, alinhado às necessidades de cada paciente. A limitação do número de sessões ou a exigência de formação específica poderiam comprometer a eficácia do tratamento, prejudicando o bem-estar do paciente.

Além disso, a decisão corrige um problema recorrente: a interpretação restritiva das diretrizes da ANS pelas operadoras. É comum que os planos de saúde aleguem falta de obrigatoriedade para negar tratamentos, criando barreiras ao acesso à saúde integral. O STJ deixou claro que o rol da ANS deve ser interpretado de forma ampla, priorizando o melhor interesse do paciente.

5. O Rol da ANS e Suas Implicações.

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Photo by KATRIN BOLOVTSOVA on Pexels.com

O rol da ANS é uma lista de procedimentos considerados obrigatórios para cobertura pelos planos de saúde. No entanto, conforme decidido pelo próprio STJ em outras ocasiões, o rol tem caráter exemplificativo, ou seja, não limita o direito dos beneficiários a tratamentos que não estejam expressamente previstos, desde que sejam necessários e eficazes.

No caso das sessões de psicomotricidade, a exclusão de critérios para limitação ou utilização é mais um indicativo de que a cobertura deve ser plena. Essa abordagem é coerente com o princípio da dignidade da pessoa humana e com os direitos fundamentais à saúde e à vida.

6. Entendendo os Direitos do Consumidor.

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Os beneficiários de planos de saúde têm seus direitos protegidos pelo Código de Defesa do Consumidor (CDC), que considera abusivas as cláusulas que coloquem o consumidor em desvantagem exagerada ou limitem indevidamente seus direitos. No contexto dos planos de saúde, isso significa que as operadoras não podem negar tratamentos prescritos por profissionais qualificados nem impor restrições que prejudiquem o acesso à saúde.

A decisão do STJ é também um marco na defesa da autonomia dos profissionais de saúde. Ao reconhecer que a formação em psicologia não é requisito exclusivo para a prestação de serviços de psicomotricidade, o tribunal amplia o reconhecimento de outras especializações, promovendo a interdisciplinaridade e a valorização de diversas categorias profissionais.

7. Conclusão.

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A decisão da Terceira Turma do STJ é um importante avanço para a proteção dos direitos dos beneficiários de planos de saúde e para a garantia de tratamentos de qualidade. Ela reafirma que as operadoras não podem impor limitações ou requisitos além do previsto nas normas, respeitando a prescrição médica e a qualificação dos profissionais.

É essencial que os consumidores estejam atentos aos seus direitos e, em caso de negativa indevida, busquem orientação jurídica para exigir o cumprimento das obrigações contratuais pelas operadoras. Decisões como essa reforçam a importância do Judiciário na garantia do acesso à saúde e na promoção da justiça social.


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